domingo, 8 de janeiro de 2012

O insight das Canjicas


         É interessante como algumas coisas começam. Isso não significa que se iniciem sem explicação, não é isso. Acredito que sempre, todas às vezes haverá uma explicação. O que acontece é que às vezes desconhecemos as origens primeiras de tudo que somos. Por isso é preciso resgatar a própria história, e até mesmo reconstruí-la quando necessário.   Partes do quebra-cabeça perdidos, quando não encontradas podem nos levar sempre aos mesmos lugares como uma tentativa desse encontro, que no fundo, é o encontro com o mais profundo de nós mesmos.
            Mas a cada peça que se encaixa, surge da “caixa”, algo menos “encaixado”, mais livre e completo, ainda que dentro da impossibilidade da completude que é inerente a toda pessoa humana.
              Mais fácil são as canjicas.
              Como se fosse possível mascarar a vida fazendo receitas na ilusão de agradar a si mesmo através do sorriso dos outros. Não se pode obter o perdão da culpa e das extremas expectativas sobre si mesmo. Ou ainda as criadas e mantidas à força da manutenção da expectativa dos outros.
               Ainda assim, acredito que o exercício das nossas faltas é o que de mais livre podemos fazer com o que somos.



                Por isso, agora, vamos as canjicas!!
               Essa receita é fácil! Mais ainda do que todas as outras!

              As canjicas servem para nos lembrar que  podemos encontrar pequenos pedacinhos  de felicidade na simplicidade das coisas e pessoas.
                 Só é preciso atenção e lucidez, e a sabedoria que vem do que é simples nos inunda por todos os lados, entra pelos pulmões, e pode ser o próprio ar que respiramos ou expiramos devagar e controladamente para se transformar em música.
                Não tive nem de longe a pretensão de sequer passar perto da canjica que a minha mãe faz. Tanto as canjicas quanto o arroz-doce dela são com toda certeza, os melhores do mundo todo! Aliás o arroz-doce deveria levar outro nome, já que o dela (o da minha mãe) nem se compara ao arroz-doce aguado e açucarado que vemos com tanta freqüência por aí, e que levam injustamente esse nome.
                Prometo para vocês a receita de canjica da minha mãe em outro momento. Por hora, entrego uma receitinha muito simples e fácil de fazer, mas que fica também muito gostosa!
                A dica da receita fica por conta das canjicas mesmo! Compre as canjicas pré-cozidas, daquelas que se vende nos mercados e que são embaladas à vácuo. Desse jeito a receita não levará mais do que dez minutos para ser feita.
                As canjicas cozidas são como um insight!! É um conhecimento acumulado que de repente vem à tona como um estalo! E num segundo você compreende coisas que levou a vida toda buscando!!! Aí tá pronto! É só aproveitar! As canjicas ...e a Vida!


CANJICA SIMPLES
Ingredientes:
- 1 pacote de canjica pré-cozida;
- 1 lata de leite condensado;
- 1/2 litro de leite integral;
- 3 cravos;
- canela em pó a gosto.

Modo de fazer:
Fure o pacote de canjica com um garfo e pressione os grãos até deixá-los bem soltos. Numa panela, aqueça a canjica com o leite até ameaçar ferver. Junte o leite condensado e os cravos e deixe 5 minutos em fogo baixo. Desligue o fogo e sirva com canela em pó.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Amor feito som na raiz da palavra...você !

“ O Homem deseja ser confirmado em seu Ser pelo Homem, e anseia por ter uma presença no Ser do outro... – secreta e timidamente, ele espera por um sim que lhe permita ser, e que só pode vir de uma pessoa humana a outra”. Martim Buber





Quero

Carlos Drummond de Andrade


Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.


BOLO DE MORANGO COM SUSPIRO


Pão de Ló
6 claras
meia xíc.(chá) açúcar
6 gemas (uma a uma)
1/2 xícara (chá) farinha de trigo
1 pitada de sal

Creme
 1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite
1/2 lata de leite
3 gemas
3 colheres (sopa ) de maisena


Montagem
suspiro
morangos
2 pacotes de chantily
400g de leite pasteurizado gelado


Modo de armar
Pão de ló
creme
suspiro (quebrado com um socador, fica esfarelado)
morango picado e repete
a última é de bolo.

Cobertura:
Bater os pacotes com o leite gelado até ficar firme e aplicar. Cobrir com suspiro e enfeitar com morangos inteiros. Conservar na geladeira até servir.
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