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domingo, 23 de outubro de 2011

Passeio Socrático


Passeio Socrático

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir:

- "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

- "Não foi à aula?"

Ela respondeu: - "Não, tenho aula à tarde". Comemorei:

- "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde".

- "Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..."

- "Que tanta coisa?", perguntei.

- "Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: - "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE,a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! - Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: "Como estava o defunto?". "Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!" Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais…

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é "entretenimento"; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: "Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!"O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.  

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma sugestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor.. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno.... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: "
Estou apenas fazendo um passeio socrático." Diante de seus olhares espantados, explico: Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Meditar ...pausar.







Todas as pessoas são instrumentos.
Algumas pessoas tem a capacidade de nos tocar em notas antes desconhecidas ou até consideradas inacessíveis por nós.
Essas notas podem fazer soar as mais lindas melodias, ou ainda, alguns sons que nos prendem dentro de padrões comportamentais que nos escravizam.
O tempo todo, milhões de pensamentos nos inundam a mente. Ao colocar o sapato estamos com o pensamento no trânsito, ou no trabalho, e assim sucessivamente.
Uma pessoa considerada produtiva é aquela que não pára. Temos que produzir, o tempo todo. E ainda no nosso tempo livre, temos que fazer algo.
Um hobby, a ginástica, ou ainda todos aqueles estímulos e prazeres passageiros que só alienam, mas que ao final deles, nos sentimos ainda mais vazios do que antes. O que nos impulsiona a buscar novamente por mais e mais estímulos, obsessivamente.

É por isso que meditar nos dias de hoje, soa quase como um  ato subversivo.

Outro dia ao contar que meditava para um amigo, ele me respondeu conclusivamente: "- Eu prefiro meditar andando mesmo!"
Mais meditar não é pensar!!!
Apartir desta conversa percebi que as pessoas, a maioria delas, não sabe o que é meditar.
Adoro a definição de Milarepa, e todas as vezes que começo a meditar, é inevitável, a primeira coisa que me vêm à mente, são os pensamentos dele.



“Medite na natureza não nascida de sua mente

Como o espaço, sem centro, sem limite;

Como o sol e a lua, brilhante a clara;

Como a montanha, imóvel, inabalável;

Como o oceano, profundo, imensurável.”
                                                   -MILAREPA-.



Então, é só respirar fundo, sentindo o ar entrando nos pulmões e descendo pela barriga.
Ela se infla. Um novo padrão de respiração serve para avisar que a mente passará a operar de outra forma.
Ao respirar desta forma, pela terceira vez, já não é preciso o som real do "sino ", ele é mental.

Então minha mente mergulha.
O corpo pára, nenhum movimento ,
só a respiração.

Os pensamentos passam, como as ondas do mar 
Eles vem,
chegam,
e vão.

Não os impeço.
Não há luta.
Há entrega.
Mais não posse.
Porque não me prendo a nenhum deles.
Somente os aceito.
Eles vem com a próxima onda, eu os vejo, observo, e vão-se novamente.

Na próxima onda, já não serão os mesmos.

Eu não sou meus pensamentos.

E assim, para além de todos os meus pensamentos e inúmeras identidades que todos nós possuímos, invariavelmente eu encontro meu verdadeiro eu.
E percebo que esse eu, que eu sou, não é só, mas sinto que está conectado à todos seres, animais, plantas, e à própria vida.

No fundo, lá no fundo, para além de pensamentos e identidades, sinto-me parte do todo.
Conectada e sempre indissociável, como sempre fui.

Nessse momento, percebo que todas as estrututas de comportamento e pensamento são imediatamente destruídas.

A única coisa que sobra, é o que realmente importa,é  o verdadeiro amor por todos os seres, porque neste ponto, posso saber e sentir o real sentido e essência das coisas, todas as demais, as coisas que vivemos todos os dias, são ilusões, sonhos que inventamos para viver.

E ainda que esses sonhos sejam necessários no nosso mundo físico, é preciso que saibamos escolher, quais destes sonhos queremos viver, e como iremos vivê-los.





Pão com Goiabada

Ingredientes
  • 30 g de fermento biológico
  • 1 1/2 xícara (chá) de leite morno
  • 9 1/3 xícaras (chá ) de farinha de trigo
  • 2 xícaras (chá) de açúcar
  • 2 colheres (sopa) de óleo
  • 1/2 colher (chá) de sal
  • 3 ovos
  • 2 gemas para pincelar

Recheio
300 g de goiabada

Modo de Preparo
Desmanche o femento em 1/2 xícara de leite morno, tampe e deixe crescer  até virar uma espuma. Faça um monte com a farinha e forme um buraco no meio.
Adicione os ovos, a mistura de fermento, o óleo, o sal e o açúcar e mexa com as mãos. Aos poucos, adicione o leite restante e amasse bem. Se necessário, acrescente mais farinha de trigo até desgrudar das mãos. Faça bolinhas, abra um buraco no meio, coloque um pedaço da goiabada e feche bem.
Deixe descansar por 45 minutos.
Bata as gemas, pincele os pães e leve-os ao forno até dourarem.